Hoje, quando se fala em missões
à Lua e Marte o foco não tem sido apenas a exploração, mas também
a sua colonização. Obviamente enviar material a partir da Terra
seria dispendioso demais, então a idéia adjacente é a mineração
e o aproveitamento dos recursos locais que esses astros oferecem para
construir bases humanas.
No ano passado, alguns
investidores ligados ao Google lançaram uma empresa, não exatamente
ligada a mineração de planetas mas de asteróides, a "Planetary
Resources". Apesar da idéia remontar dos anos 80, essa hipotese
foi considerada imensamente cara para os padrões tecnológicos da
época, sendo por isso descartada. No entanto este grupo privado
acredita que conseguirá adquirir tecnologia economicamente viável
para começar a extrair minérios no espaço dentro de um periodo de
dez anos, enviando primeiramente aeronaves robóticas de baixo custo
para missões de exploração, já dentro de dois anos, para sondar
potenciais asteróides, focando aqueles passam na órbita da terra.
E porque asteróides? Segundo o
co-fundador da Planetary Resources, Eric Anderson, “os asteroides
contêm os mais interessantes materiais minerais, como ouro, ferro e
plantina. [Também] um dos recursos mais valiosos para os seres
humanos, que pode ser encontrado no espaço, é a água”.
É uma proposta ambiciosa e
trará consigo algumas dificuldads técnicas, como o de extrair
minérios em ambientes sem gravidade, no entanto se resultar se
mostrará uma atividade altamente lucrativa. O asteroide 2012-DA14,
por exemplo valeria cerca de 200 bilhões de dolares, apesar de não
ser um dos candidatos para a exploração (como consta neste artigo).
Existe potencial para isso no Brasil?
Creio que sim. No entanto o
grande pepino é, claro, o investimento. O Brasil têm em pauta
algumas projetos espaciais, públicos e privados, que indicam que
estão indo tecnologicamente no caminho certo. Exemplo é a Missão
Aster, que visa explorar o sistema tripo de asteroides 2001-SN263,
enviando uma sonda espacial em 2017 que levará dois anos para chegar
ao seu destino. Se a missão for um sucesso, poderá ser o embrião
de para outros tipos de exploração brasileira em espaço profundo.
Como o projeto Aster tem um objetivo estritamente científico, e tem
sido financiado pelo Estado, não tem qualquer interesse na mineração
espacial. Mas estará o projeto selado aos interesses de investidores
que procurem possivelmente explorar esse pequeno sistema? Creio que
não.
O físico brasileiro da empresa
Vale do Rio Doce, Paulo Antônio de Souza Júnior, colaborou para na
construção de jipes da NASA, para a exploração de Marte,
nomeadamente no desenvolvimento do espectrômetro Mössbauer que
media a abundância de minerais ferrosos. Como sabemos a Vale do Rio
Doce é a maior exploradora de minérios do mundo, e não surpreende
que esta tenha profissionais preparados para lidar com a construção
de instrumentos de deteção de minérios. Somente uso este exemplo
para ilustrar o quanto entidades privadas brasileiras têm capacidade
não só financeiras, mas também técnicas para contribuir em
projetos desta envergadura, como já está acontecendo nos EUA. É
uma questão de visão.
Ilustração
de uma estação espacial montada a partir de um asteróide.
Bryan Versteg/Spacehabs.com
Outra pequena empresa privada
que já está investindo numa missão espacial, como sabemos, é a
Idéia Valey, que formou o grupo SpaceMeta para participar no
concurso internacional Google X Lunar Prize. O objectivo é a
colocação de um robô em solo lunar e cumprir algumas tarefas
recorrendo para isso com no mínimo 90% de investimento privado. Eis
aqui outra missão, que se for bem sucedida, poderia ser aproveitada
como modelo em outros projetos embrionários para, quem sabe, sondar
o solo lunar visando a mineração. O objetivo do grupo, no entanto é
mais discreto, e basicamente procurará cumprir as idéias propostas
pelo concurso. Varios colaboradores de peso têm investido no
projeto, mas maior desafio do grupo ainda continua sendo a parte
financeira do ambicioso projeto. Como mencionou o Sr. Sérgio
Cavalcanti, lider do grupo SpaceMeta: "por incrivel que pareça,
o desafio de um lançador, com a tecnologia atual, para colocar um
robot na superficie da lua, é um desafio puramente financeiro. A
Prova disso sao os rápidos resultados da SpaceX, que em menos de 10
anos com poucas pessoas e muito recurso financeiro conseguiu
substituir o onibus espacial."
Não é por coincidência que o
Google apresenta desafios como o X Lunar Prize, procurando que seus
integrantes enviem seus experimentos para o espaço a preços
reduzidos (comparado ao custo normal das missões), oferecendo até
30 milhões aos vencedores. O seu interesse está no espaço, e
provaram isso com a criação da Planetary Resources. Esse mercado da
mineração espacial é novo e diferente, mas também promissor,
contando ainda com poucas iniciativas. Talvez seja mesmo mais
oportuno que as viagens espaciais, onde as várias empresas que
iniciaram investimentos anos atrás, já contam com listas de espera
sem sequer terem ainda levantado voo. A criação da Planetary
Resources é um exemplo da coragem de quem confia que pode se
debruçar sobre as diversas oportunidades que despontam na área
espacial, mesmo em casos em que a tecnologia e investimentos totais
ainda não sejam realidade. Estou certo que os brasileiros também
têm potêncial para chegar longe, se assim decidirem. E apesar de ir
ao espaço atualmente ser ainda um jogo para grandes investidores,
companhias como a SpaceX, de Elon Musk, e a Virgin Galatic, de
Richard Branson, são provas de que os resultados são visiveis para
quem decide investir no ramo privado de exploração espacial. E não
é a toa, nem inutilmente, que personalidades como James Cameron e
Larry Page entraram na dança deste novo projeto de mineração
espacial.

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