sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Mineração espacial

Hoje, quando se fala em missões à Lua e Marte o foco não tem sido apenas a exploração, mas também a sua colonização. Obviamente enviar material a partir da Terra seria dispendioso demais, então a idéia adjacente é a mineração e o aproveitamento dos recursos locais que esses astros oferecem para construir bases humanas.
No ano passado, alguns investidores ligados ao Google lançaram uma empresa, não exatamente ligada a mineração de planetas mas de asteróides, a "Planetary Resources". Apesar da idéia remontar dos anos 80, essa hipotese foi considerada imensamente cara para os padrões tecnológicos da época, sendo por isso descartada. No entanto este grupo privado acredita que conseguirá adquirir tecnologia economicamente viável para começar a extrair minérios no espaço dentro de um periodo de dez anos, enviando primeiramente aeronaves robóticas de baixo custo para missões de exploração, já dentro de dois anos, para sondar potenciais asteróides, focando aqueles passam na órbita da terra.
E porque asteróides? Segundo o co-fundador da Planetary Resources, Eric Anderson, “os asteroides contêm os mais interessantes materiais minerais, como ouro, ferro e plantina. [Também] um dos recursos mais valiosos para os seres humanos, que pode ser encontrado no espaço, é a água”.

É uma proposta ambiciosa e trará consigo algumas dificuldads técnicas, como o de extrair minérios em ambientes sem gravidade, no entanto se resultar se mostrará uma atividade altamente lucrativa. O asteroide 2012-DA14, por exemplo valeria cerca de 200 bilhões de dolares, apesar de não ser um dos candidatos para a exploração (como consta neste artigo).
Existe potencial para isso no Brasil?
Creio que sim. No entanto o grande pepino é, claro, o investimento. O Brasil têm em pauta algumas projetos espaciais, públicos e privados, que indicam que estão indo tecnologicamente no caminho certo. Exemplo é a Missão Aster, que visa explorar o sistema tripo de asteroides 2001-SN263, enviando uma sonda espacial em 2017 que levará dois anos para chegar ao seu destino. Se a missão for um sucesso, poderá ser o embrião de para outros tipos de exploração brasileira em espaço profundo. Como o projeto Aster tem um objetivo estritamente científico, e tem sido financiado pelo Estado, não tem qualquer interesse na mineração espacial. Mas estará o projeto selado aos interesses de investidores que procurem possivelmente explorar esse pequeno sistema? Creio que não.
O físico brasileiro da empresa Vale do Rio Doce, Paulo Antônio de Souza Júnior, colaborou para na construção de jipes da NASA, para a exploração de Marte, nomeadamente no desenvolvimento do espectrômetro Mössbauer que media a abundância de minerais ferrosos. Como sabemos a Vale do Rio Doce é a maior exploradora de minérios do mundo, e não surpreende que esta tenha profissionais preparados para lidar com a construção de instrumentos de deteção de minérios. Somente uso este exemplo para ilustrar o quanto entidades privadas brasileiras têm capacidade não só financeiras, mas também técnicas para contribuir em projetos desta envergadura, como já está acontecendo nos EUA. É uma questão de visão.
Ilustração de uma estação espacial montada a partir de um asteróide.  
Bryan Versteg/Spacehabs.com

Outra pequena empresa privada que já está investindo numa missão espacial, como sabemos, é a Idéia Valey, que formou o grupo SpaceMeta para participar no concurso internacional Google X Lunar Prize. O objectivo é a colocação de um robô em solo lunar e cumprir algumas tarefas recorrendo para isso com no mínimo 90% de investimento privado. Eis aqui outra missão, que se for bem sucedida, poderia ser aproveitada como modelo em outros projetos embrionários para, quem sabe, sondar o solo lunar visando a mineração. O objetivo do grupo, no entanto é mais discreto, e basicamente procurará cumprir as idéias propostas pelo concurso. Varios colaboradores de peso têm investido no projeto, mas maior desafio do grupo ainda continua sendo a parte financeira do ambicioso projeto. Como mencionou o Sr. Sérgio Cavalcanti, lider do grupo SpaceMeta: "por incrivel que pareça, o desafio de um lançador, com a tecnologia atual, para colocar um robot na superficie da lua, é um desafio puramente financeiro. A Prova disso sao os rápidos resultados da SpaceX, que em menos de 10 anos com poucas pessoas e muito recurso financeiro conseguiu substituir o onibus espacial."
Não é por coincidência que o Google apresenta desafios como o X Lunar Prize, procurando que seus integrantes enviem seus experimentos para o espaço a preços reduzidos (comparado ao custo normal das missões), oferecendo até 30 milhões aos vencedores. O seu interesse está no espaço, e provaram isso com a criação da Planetary Resources. Esse mercado da mineração espacial é novo e diferente, mas também promissor, contando ainda com poucas iniciativas. Talvez seja mesmo mais oportuno que as viagens espaciais, onde as várias empresas que iniciaram investimentos anos atrás, já contam com listas de espera sem sequer terem ainda levantado voo. A criação da Planetary Resources é um exemplo da coragem de quem confia que pode se debruçar sobre as diversas oportunidades que despontam na área espacial, mesmo em casos em que a tecnologia e investimentos totais ainda não sejam realidade. Estou certo que os brasileiros também têm potêncial para chegar longe, se assim decidirem. E apesar de ir ao espaço atualmente ser ainda um jogo para grandes investidores, companhias como a SpaceX, de Elon Musk, e a Virgin Galatic, de Richard Branson, são provas de que os resultados são visiveis para quem decide investir no ramo privado de exploração espacial. E não é a toa, nem inutilmente, que personalidades como James Cameron e Larry Page entraram na dança deste novo projeto de mineração espacial.

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